A Abrades

UMA NOVA ATITUDE DIANTE DA ESCOLA E DIANTE DE NOSSOS DESAFIOS ATUAIS.

Por força do ofício sempre tenho buscado entender as contradições de nosso tempo e sociedade a partir de seus dados de bastidores, os condicionantes históricos e suas inspirações ideológicas. Não se trata de uma busca arqueológica meramente heurística, ou ainda que se configure como um caprichoso exercício de genealogia conceitual, tão a gosto de tantas epistemologias correntes, fragmentárias e indolores. Mas, ao contrário, tal intento nasce da constatação da angustiante premissa de que não encontramos outra possibilidade de compreender as contradições de nossa realidade se não buscarmos seus marcos históricos e políticos, nem tampouco reuniremos condições de superação dessas matrizes se não soubermos a solidez de seus fundamentos. Essa é a lição sempre presente do metódico Gramsci: pessimismo da inteligência, otimismo da vontade. E se traduz na criteriosa busca racional de desvendar a historia e suas singularidades. O pensamento mágico, por sua vez, contenta-se com descrições fabulosas, alimenta-se de proposições ahistóricas e quase sempre acaba reforçando as eficientes armadilhas reais da dominação vigente, acaba legitimando a liturgia do corpus institucional do establishment e promovendo a continuidade do inusitado cinismo do status quo.
Nosso tempo é marcado por rápidas e intensas mudanças. O conhecimento técnico altera radicalmente nossa vida cotidiana interferindo em todas as dimensões de nossa sociedade. Torna-se necessário criar diretrizes éticas e coordenadas políticas para submeter as conquistas tecnológicas ao interesse e promoção do bem estar de todos. A escola se vê questionada a assumir novas funções e a recuperar alguns de seus atributos clássicos bem como assumir novas identidades. Assim, torna-se necessário hoje planejar uma escola e uma nova proposta de educação voltada para a formação plena da cidadania e para a incorporação da cultura como processo de humanização. O conhecimento historicamente acumulado deve ser repassado a cada geração, de maneira sistematizada e criativa, a produzir condições de compreensão da vida, das sociedades e conquistas da civilização humana. Um conhecimento posto a serviço da vida, da felicidade, da justiça e da sustentabilidade de todas as formas de produção e trabalho. A escola de hoje tem que incorporar criativamente os recursos e paradigmas clássicos postos pela tradição e ser capaz de assimilar e ordenar novas relações culturais, nossos contextos e disposições.
Conhecemos a famosa afirmação de Sartre: é preciso conhecer o que fizeram de nós, é preciso escolher o que vamos fazer com o que fizeram de nós. Essa dialeticidade entre o passado e o futuro é o penhor de nossa consciência e de nossas possibilidades. E, com a premissa sartreana explicitamos a primeira disposição do presente ensaio reflexivo sobre as delimitações e potencialidades das categorias de tempo e espaço na construção de nossas referências existenciais e científicas. Outra motivação: nem todos os cidadãos precisam ser historiadores, essa habilidade, ofício e vocação, é fruto de escolhas pessoais e sociais, disposições objetivas, estímulos fundamentados. Nem todos os educadores precisam ser professores de História, em seus diversos níveis e modalidades. Ser professor demanda outra série de disposições pessoais, sociais, institucionais etc. Muito menos somos obrigados a ser arquivistas, historiógrafos, cronistas, em sentido técnico. Mas de uma coisa temos certeza, todos nós precisamos ter uma consciência de nosso tempo, somos quase que obrigados a ter uma consciência histórica, isto é, reconhecer o nosso tempo e identificar o nosso espaço, se desejarmos ser sujeitos de nossa prática social, profissional e política. Assim, podemos deixar de lado as demais competências, mas não podemos nos furtar à consciência histórica de nosso tempo.

ABRADES: O ano de 2010 será o ponto de partida para uma nova fase da associação e da conquista de seus objetivos!

Há momentos que definem prioridades pela natureza histórica de sua própria significação. Esse ano de 2010 deve ser um desses anos plenos, carregados de símbolos e possibilidades. Aliás, o que é a vida senão uma procissão infinita de possibilidades? E a esperança nos acalenta nessa solene abertura dos anos promissores e venturosos que virão, como esse que ora se inicia. Para esse ano temos muitos sonhos e desafios para a área da Educação Sexual e a pesquisa em Sexualidade e Educação. Novos encontros, eventos de dimensões regionais e até a possibilidade de um Congresso nacional estão sendo carinhosamente preparados pela Diretoria da ABRADES, reunida em Campinas-SP para a produção de um Planejamento Estragégico Institucional e Político para a ABRADES. Dessa forma, convidamos a todos para a retomada do corolário de motivações e intenções que nos congrega na ABRADES e esperamos a contribuição coletiva para gerar tempos novos e criações referenciais originais nessa aurora que se anuncia!
Isso é a ABRADES!
Depois de realizar uma trajetória de percalços e resistências a qustão da educação sexual firmou-se como uma necessidade de nosso tempo e sociedade. A inclusão do tema da Orientação Sexual como um dos temas transversais parece ser o marco institucional da luta pela implantação da Educação Sexual na escola e sociedade, vindo dos idos dos anos 1930! Agora, a partir dessa conquista, temos novas tarefas, a formação de educadores e agentes educacionais para lidar com o tema à altura de sua importância e identidade. Nesse campo, a ABRADES está inovando, buscando viabilizar cursos e etapas de formação para professores, especialistas, educadores que queiram trabalhar com o tema. Esse é o desafio atual: a formação de professores para trabalhar com a Educação Sexual na escola. Esperamos firmar esse tema nessa etapa de institucionalização da ABRADES e contar com o apoio e compartilhamento de responsabilidades de todos os filiados. Sejam todos novamente benvindos nessa nova trincheira!
César Nunes (Presidente)

ABRADES: UM NOVO TEMPO, A MESMA LUTA, UM SÓ HORIZONTE!

Nessa nova etapa de sua atuação a ABRADES estará buscando ampliar a participação de seus afiliados, sócios e interessados, simpatizantes e outros grupos de pessoas, entidades ou ONG´s, na promoção do debate e qualificação da pesquisa e formação na área da EDUCAÇÃO SEXUAL!
Trata-se de um momento novo, o de firmar novos horizontes para a pesquisa no campo da Educação Sexual e, ao mesmo tempo, sistematizar as múltiplas atividades desenvolvidas ao longo dessas últimas duas décadas. Por todo o país, desde o final dos anos 1980 tem havido experiências, estudos, projetos e ações no campo da Educação Sexual. É hora de reunir essas experiências, pesquisas, estudos e organização de grupos afins na direção comum. A ABRADES está preparada para esse objetivo nesse ano de 2006.
A ABRADES é uma associação que congrega educadores, professores, agentes educacionais, cidadãos e cidadãs, profissionais da educação, pedagogos, historiadores, filósofos, biólogos, psicólogos, antropólogos, sociólogos, licenciados em geral, profissionais de diversas outras áreas de atuação social, médicos, enfermeiros, assistentes sociais, pesquisadores das diversas áreas das ciências e das artes, integrados pelo propósito de promover a EDUCAÇÃO SEXUAL.

Entendemos por educação tanto a formação humana geral, aquela que prepara as novas gerações para a vida em sociedade, que dispõe formas e meios para a aquisição plena e subjetiva da cultura e condição humana, quanto aquela definida pelo processo formal e escolar de sistematização e transmissão institucional de conhecimentos, idéias e valores, habilidades e referências éticas, estéticas, políticas e sócio-econômicas, dimensões essenciais e necessárias à formação referencial das gerações de crianças, adolescentes e jovens. Nossa preocupação fundamental, pelas razões sociais de destaque e importância que a sexualidade passou a assumir na sociedade contemporânea, é com a educação sexual, com uma preferencial atuação em sua dimensão pedagógica, didático-institucional e escolar.

A ABRADES nasceu da necessidade de promover a educação sexual numa sociedade marcada historicamente por práticas repressivas e, a partir das mudanças operadas no período histórico pós-segunda guerra mundial, em meados do século XX, por um amplo processo de pansexualização, isto é, de exposição, descompressão e exibição saturada das práticas e discursos sobre sexualidade, atingindo o cerne de nossa vida pessoal, da cultura e da própria identidade humana, prevalecendo uma concepção banalizada de sexo e sexualidade mediatizada pelas categorias da massificação comportamental e desumanização mercantilista. Educadores, pesquisadores e interessados em investigar, aprofundar o conhecimento, criar referências teóricas e disposições metodológicas para a educação sexual escolar produziram, nas últimas décadas, as suas matrizes institucionais e organizacionais. Nascida na década de 1990 a ABRADES foi congregando professores, pesquisadores, profissionais liberais, pais e cidadãos interessados em debater o tema e sua importância, criando jornadas, palestras e núcleos de estudos e pesquisas em Educação Sexual até produzir encontros regionais e nacionais, congressos e eventos de socialização e formação continuada de profissionais e agentes educacionais preparados para atuar na escola e sociedade.

Para a ABRADES a educação sexual é uma das formas de aquisição plena de sentido e significado para a representação e vivência da sexualidade, marca ontológica da condição humana, subjetiva e social, fundamento para a conquista da realização plena de nosso ser e conquista da emancipação ética, estética e política de todos os seres humanos.Estamos inaugurando este espaço de trocas na grande Teia do mundo global. Nosso propósito é abordar a questão da Sexualidade Humana e da Educação Sexual. Há muitas outras formas e jeitos de constituir uma comunidade virtual, mas nós queremos contar com um tipo especial de curiosos e interessados: aqueles que supõem que a vida é um espetáculo de gratuidade e esperanças, que a sexualidade é uma força vibrante, singular e socialmente, de impulsionar os homens e mulheres para a felicidade, para a realização erótica e afetiva, para a construção de sentido posta eticamente pela potencialidade criativa do ser humano e sua inexpugnável sexualidade. Sinta-se convidado (a) a debater, pesquisar, socializar e construir juntos os novos tempos e horizontes de uma sexualidade emancipadora de si e emancipatória de todos, a superar os sexismos estreitos, as práticas repressivas, as mercantilizações e simulacros que campeiam entre nós!

ASSOCIAÇÃO MUNDIAL PARA A SAÚDE SEXUAL (WAS)

Declaração de Montreal - "Saúde sexual" para o Milênio"

XVII Congresso Mundial de Sexologia. Montreal 2005

Nós, os participantes no XVII Congresso Mundial de Sexologia, afirmamos nosso compromisso com a Missão da Associação Mundial para a Saúde Sexual(WAS): Promover a Saúde Sexual em todo o mundo e ao longo da vida. Reafirmamos também a Declaração dos Direitos Sexuais de WAS (1999); as recomendações do Relatório do WAS e a Organização Pan-Americana da Saúde: "Promoção da saúde Sexual, Recomendações para a Ação" (2000), e as Definições Operacionais de Saúde Sexual e Direitos Sexuais da Organização Mundial da Saúde (2002).

Considerando a necessidade urgente de uma ação coletiva para alcançar os objetivos e as metas de saúde e desenvolvimento sustentável afirmados em acordos internacionais, incluindo a Declaração do Milênio, declaramos que: A promoção da saúde sexual é central para alcançar o bem-estar e o resultado do desenvolvimento sustentável e mais especificamente, para a instrumentação das Metas de Desenvolvimento do Milênio. Os indivíduos e as comunidades que experimentam o bem-estar encontram-se em uma melhor posição para contribuir para a erradicação da pobreza individual e social. Ao cultivar a responsabilidade individual e social e as interações sociais eqüitativas, a promoção da saúde sexual fomenta a qualidade de vida e a realização da paz. Portanto, instamos a todos os governos, as agências internacionais, ao setor privado, as instituições acadêmicas e a sociedade inteira, e muito particularmente às organizações membros da Associação Mundial para a Saúde Sexual (WAS) a:
1.- Reconhecer, promover, assegurar e proteger os direitos sexuais para todos. Os direitos sexuais fazem parte integrante dos direitos humanos básicos e, portanto, são inalienáveis e universais. A saúde sexual não pode ser atingida nem mantida sem direitos sexuais para todos.
2.- Avançar para a eqüidade de gênero. A saúde sexual requer respeito e eqüidade de gênero. As iniqüidades relacionadas com o gênero e os desequilíbrios de poder impedem as interações humanas construtivas e harmoniosas e conseqüentemente, a consecução da saúde sexual.
3.- Eliminar todas as formas de violência e abuso sexuais. A saúde sexual não se pode alcançar enquanto as pessoas não estiverem livres de estigma, discriminação, abuso, coerção e violência sexuais.
4.- Prover acesso universal à informação e educação integral da sexualidade. Para obter saúde sexual é mister que todas as pessoas, incluindo os jovens tenham acesso pleno a uma educação integral da sexualidade e à informação, bem como à atenção a sua saúde sexual durante todo o ciclo vital.
5.- Assegurar que os programas de saúde reprodutiva reconheçam a importância medular da saúde sexual. A reprodução é uma das dimensões críticas da sexualidade humana e pode contribuir para o fortalecimento das relações e à realização pessoal quando foi desejada e planejada. A saúde sexual é um conceito mais abarcativo do que a saúde reprodutiva. Os programas atuais de saúde reprodutiva devem ser ampliados para contemplar integralmente às diversas dimensões da sexualidade e a saúde sexual.
6.- Deter e reverter a propagação da HIV/AIDS e outras infecções de transmissão sexual (ITS).O acesso universal à prevenção, aconselhamento e prova de detecção voluntária, a atenção e tratamento integral dos pacientes infectados com a HIV/AIDS e outras infecções de transmissão sexual são igualmente essenciais para a saúde sexual. Devem ser adotados e incrementar-se em grande escala imediatamente os programas que assegurem o acesso universal a estes serviços.
7.- Identificar, abordar e tratar inquietudes, moléstias e disfunções sexuais. Visto que a plenitude sexual tem a capacidade de elevar a qualidade de vida, é crítico reconhecer, prevenir e tratar as inquietudes, padecimentos e preocupações sexuais.
8.- Conseguir o reconhecimento do prazer sexual como um componente do bem-estar. A saúde sexual é mais do que apenas a ausência de doença. O prazer e a satisfação sexuais são componentes integrais do bem-estar e requerem serem reconhecidos e promovidos universalmente. É essencial que quaisquer planos de ação internacionais, regionais, nacionais e locais para o desenvolvimento sustentável, priorizem ações em saúde sexual, apropriem recursos suficientes e abordem as barreiras sistêmicas, estruturais e comunitárias que abalam a saúde sexual e que o progresso destes planos e programas seja monitorizado.

Aprovada e proclamada em Montreal, Canadá durante o XVII Congresso Mundial de Sexologia, 15 de julho de 2005.

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Filie-se à Abrades

Nesse ano de 2010, a partir de Fevereiro, estaremos em campanha para conquistar novos sócios e filiados. Você pode ser um deles(as)! Você pode participar da ABRADES, atuar junto aos demais membros e filiados, pesquisar,conviver com um grupo de educadores e pesquisadores que busca criar novas redes e formas de representações emancipatórias da Sexualidade Humana e da Educação Sexual. Procure conhecer todos os projetos, as referências teóricas e conceituais, os propósitos e frentes de luta da ABRADES e integre-se, como sujeito, nesta comunidade de reflexão e ação educacional!
Estaremos ainda produzindo um banco de dados sobre a Educação sexual no Brasil e sua abordagem emancipatória, de modo a instrumentalizar os pesquisadores e agentes educacionais que porventura tiverem interesse e necessidade de apoio institucional e didático nessa temática.

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EDUCAÇÃO, HISTÓRIA E PÓS-MODERNIDADE. Por Cesar Nunes

Não é sem razão que Bauman afirma que a globalização acentua-se sobre duas negações, o fim da história preconizado por Fukuyama e a disposição de decretar o fim da geografia, denunciada por Paul Virilio. O tempo pós-moderno, entendido como expressão da globalização, é um tempo presentista, de fruição incessante, sem passado, sem conexões que possam ser ressignificadas dialeticamente; um tempo sem a marca da seta de Prigogine a nos indicar o futuro, Os planejadores do escrutínio do tempo do capital globalizado parecem desejar o delírio do imutável, a cessação do dinamismo, e a decretar a cíclica retenção ou repetição do mesmo, num delírio solipsista voraz. O espaço pós-moderno é a miragem da extraterritorialidade, do descontínuo, do simulacro, a visão da fantasmagoria, essa matrix política encarcerada no gozo da posse da mercadoria, na ânsia de consumir para ser, para existir. Um quadro de Goya pode muito bem esclarecer nossa contradição, o duelo de porretes sobre a areia movediça. Assim, se o tempo e espaço modernos abriam possibilidades para a ação consciente de homem, para a delimitação do espaço material, do corpo, das dimensões do espaço público e privado, a desterritorialização devassa nossas fronteiras topográficas, derruba nossas marcas ontológicas e nos submete à ditadura da opacidade e da descontinuidade, da desrazão e das sombras. Nossa proposta consiste em olhar para trás, encontrar numa coerente visão do tempo e delimitação generosa e democrática dos espaços reestruturando nossa possibilidade de reorientação da modernidade, superando a razão instrumental por uma refundação da razão dialógica e da prática emancipatória, a enunciar nossos sonhos, nossa capacidade utópica de ir para a frente. Não sabemos para onde estamos indo. Mas podemos investigar e significar as razões pelas quais chegamos até aqui e construir utopias que nos movam a seguir adiante. Saber o que fizeram de nós e escolher o que vamos fazer com o que fizeram de nós. Estamos condenados a essa historicidade. Não basta requentar nossas práticas com um saudosismo congelado ou ilustra-la com um futurismo idealista. Mas tecer os fios de Ariadne, a nos conduzir nos labirintos do cotidiano para que não percamos essa esperança, rediviva num projeto político renovado, radicalmente democrático e plenamente participativo. A história é nossa única esperança. Por fim, temos uma última apelação. Trata-se de uma necessidade política. O ensino de História precisa ser revisto e questionado, mas não se pode fazer essa mudança sem fundamentos. Superar uma história justificadora, uma metanarrativa linear e escatológica por uma história pontual, presentista, grupal ou fragmentária não se apresenta como solução. O movimento, entendido como categoria política, é o motor da história. Somente será possível uma concepção dinâmica de transversalidade se tivermos uma sólida tradição crítica, que pudesse ser atravessada por uma geração esclarecida e politizada. Dr. César Nunes Campinas, verão chuvoso de 2010

A vida como constantes possibilidades e intensas lutas!

A filosofia sempre buscou encontrar uma chave para decifrar o enigma da existência. Do mundo, do homem. Qual seria a razão pela qual nos agarramos tão tenazmente à dinâmica da vida, aos percalços da existência. E, malgradas as boas intenções dos filósofos, multiplicaram-se explicações e justificativas, e a vida segue sem uma convincente e universal definição que acalmasse as consciências e as subjetividades infindas. Seria a vida um impulso da natureza, um elan fisio-químico, uma partícula autogerida, um hiato, uma fração ex nihilo? São tantas as possibilidades da vida que eu me contento em definir a vida como densas e potenciais possibilidades. E a luta, que se renova a cada sol que reaparece em nosso horizonte, de que os sentidos são dados pelo agir humano, pela sensibilidade humana. O homem é o criador de sentido para a vida. E viver é muito mais do que meramente estar no mundo ou simplesmente existir. César Nunes Verão de 2010

Penso que seguir a vida seja simplesmente compreender a marcha e ir tocando em frente!

Esse trecho que dá o título dessa mensagem é uma parte de uma doce e terna música de Renato Teixeira e Almir Sater. Mas, quanta verdade encerra essa afirmação: compreender a vida consiste em buscar seguir sempre em frente! Essa palavra de ordem nos impulsiona a lutar com todas as dificuldades, vencer os desafios e superar os dissabores para realizar o sentido da vida, seguir sempre para a frente, não desistir de nada, tocar a história e mover-se na direção do futuro. Esse é o voto e desafio que buscamos repassar para todos os filiados e amigos da ABRADES nesse ano que se anuncia novo e promissor! Sejamos dignos das possibilidades da Vida!

O ano de 2009 precisa ser realmente NOVO!

Nessa primeira semana de 2009 a diretoria da ABRADES realizou uma alegre e produtiva reunião de planejamento. Depois de um longo período de dificuldades, pessoais e institucionais, o Presidente Dr. César Nunes convocou todos os diretores para a reunião, visando superar o silêncio e as poucas atividades operadas nos dois anos anteriores. Razões motivos sobejamente conhecidos foram deixados de lado para unicamente centrar foco e angariar bons augúrios e desejos para o ano novo que se inicia! A cada ano a vida mesma, tal como é sua natureza, ensina a todos nós que é preciso recomeçar, que assim como se alteram as estações, o tempo e a natureza, cada um de nós deve e pode entender a dinâmica dialética da existência, que a tudo trasforma e altera. Desejamos a todos os filiados e simpatizantes um ano novo cheio de realizações! Que os novos ares opssam renovar nossa disposição para as tarefas e possibilidades que a história atual nos reserva!

A ABRADES acompanha com solidária atenção a promoção do IV CONGRESSO!

O Centro de Filosofia Educação Para o Pensar, situado em Florianópolis-SC, presidido pelo Professor Dr. Silvio Wonsovicz, fiel aos determinantes do III Congresso Nacional de Educação Para o Pensar e Educação Sexual, realizado em julho de 2005, planejou e manteve a promoção desse IV Congresso a efetivar-se de 17 a 20 de Julho, em Brasília-DF voltado para o tema da educação integral. A ABRADES, em função de impedimentos internos e particulares não pode acompanhar o desenvolvimento desse exigente processo de preparação e organização desse promissor e esperançoso congresso. Mas, mesmo com as dificuldades estruturais a ABRADES, através de seu presidente, expressa os mais sinceros votos de sucesso e plena realização do IV Congresso e seus propósitos emanicipatórios e formadores. Que esse IV Congresso mantenha a chama dos que o antecederam e revitalize as energias espirituais e afetivas de todos os participantes na direção altruísta da educação integral e plena de todos os seres humanos!

A vontade de saber sobre sexualidade e amor!

Há uma ansiosa vontade de saber sobre sexo, e uma vertiginosa procura da cabal experiência amorosa. Discursos e proclamas se alternam, ritos e magias se oferecem ao alcance de todos os desesperados de ocasião e realidade: quem souber a verdade do sexo ou quem encontrar o verdadeiro amor será plenamente feliz. Esse elixir da felicidade e nirvana do conhecimento encontra-se hoje acessível a preços módicos na prateleira de qualquer esquina virtual. São as vociferantes marcas das catedrais de consumo e os apelativos e extasiantes conjuntos de propaganda e comércio, dos mais variados gostos e tessituras. A oferta da felicidade consubstancia a posse do bem,o manejo de tal coisa, a fruição de tal e qual serviço ou mercadoria. A sociedade de consumo aniquilou as diferenças, empastelou tudo na reificação opaca das nulidades apelativas. Como superar tal cegueira?

Dia 12 de Junho - Dia dos Namorados: o que pensar e sentir?

Celebra-se hoje o dia dos namorados. Há uma convenção social e cultural firmada para celebrar essa forma de relação entre pessoas. A pauta desse dia foi determinada por claros interesses comerciais, de modo a manter a dinâmica do comércio, com presentes, serviços, compras e gastos estimulados pela profusão de bens e coisas expostas ao consumo. Desse modo se pode dizer que a festa de hoje é uma festa de consumo, numa sociedade de consumo, numa era que se expressa ao redor do fenomeno do consumo de bens, mercadorias, serviços e pessoas! Se tomarmos somente esse enfoque o dia seria reduzido a comprar presentes, consumir coisas e manejar serviços, e pronto! Mas não se pode ser assim tão unilateral. Qual seria a base cultural da localização e celebração desse dia? Penso eu que há alguma alusão derivada do dia de Santo Antonio, a ser celebrado amanhã, dia 13 de junho, no calendário cristão católico, que conserva na tradição católica de base ibérica a fama de ser um santo casamenteiro, promotor de namoros, inspirador de casamentos e pródigo agenciador de casais em busca das felicidades amorosas. Uma éspecie de cristianização comedida dos atributos de Eros ou Cupido, deuses da tradição mitológica clássica. Assim, para anteceder e marcar a véspera do dia de Santo Antonio se convencionou criar o dia dos namorados. Muito bem arquitetada a elipse, o liame, já que o namoro, em tese, antecedia o casamento ou à sua busca. Hoje o namoro perdeu o lugar, antecede o casamento, transcende, supera, ultrapassa, convive,existe paralelo, agregado, ao lado e até dentro do casamento. Numa época em que o namoro era uma fase rápida de abordagem e conhecimento entre os sexos e as pessoas, um tempo induzido de acertos para acabar nas uniões pré-definidas e combinadas pelas pais e suas famílias, o casamento era a festa máxima, o namorar e o namoro propriamente dito era um período meio insignificante, uma transição ansiosa. Depois os tempos mudaram, e continuaram a mudar, e alvoroçaram as relações amorosas e suas expressões, liturgias e gestuárias. Feriram o casamento eterno com a adaga da provisoriedade do tempo e exiguidade de todas as formas de sentimentos. E com o refluxo ou fim da aspiração ao casamento eterno, com os consequentes abalos nas liturgias amorosas tradicionais, com a dessacralização dos ritos de cortejo e sedução o casamento perdeu a aura etérea da plenitude e o que era um tempo preparatório, um exíguo rito de passagem assumiu um significado e lugar bem diferente! Depois dos movimentos jovens de maio de 68, suas causas e dinâmicas politicas e culturais, o namoro foi sendo ressignificado. Todo mundo é namorado ou namorada de alguém! Enamorar-se passou a ser um fenômeno subjetivo e social da maior importância. É certo dizer que a dessublimação sexual contribuiu para essa libertação institucional. Mas não se restringe a ela. O enamorar-se passou adiante da liberação sexual, trata-se da celebração da possibilidade de se encontrar profundamente com outro ser, a aprtir do qual não se é mais nem o que se era antes. Há namoros longos e até namoros ocasionais, momentâneos. Inventaram até o "ficar". Então o dia dos namorados cresceu em importância e representa hoje um fenômeno próprio de nosso tempo e cultura. Poderemos pensar sobre isso um pouco, não? Sei lá, acho que é isso (por hoje) o que eu queria dizer! Cesar Nunes

FIM DE ANO COM MUITA ALEGRIA E ESPERANÇA!

Em novembro a ABRADES esteve presente em inúmeros eventos e cursos, apresentando sempre a proposta de uma educação sexual voltada para a felicidade e emancipação. Em Dezembro teremos expediente até o dia 20, depis estaremos em recesso até o dia 06 de janeiro do novo ano de 2007. A agenda do prof. Cesar está aberta para convites de municípios, estados e instituições, para a promoção de atividades de formação e debate sobre a questão da educação sexual. No mês de janeiro e igualmente em fevereiro a ABRADES costuma participar de encontros preparatórios para o ano letivo de 2007.

Professor CÉSAR NUNES teve aprovada sua tese de livre-docência!

No dia 06 de Outubro o Professor César Nunes, Presidente da ABRADES, defendeu sua tese de livre-docência na Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, apresentando uma pesquisa com o título "Platão e a dialética entre a filosofia do amor e o amor da filosofia: um estudo pedagógico de ética sexual." A banca examinou seu trabalho, promoveu seguras e amplas arguições, às quais o Professor Cesar Nunes respondeu de forma firme e destacada. Sua aula didática versou sobre "As filosofias dissidentes do século XIX: Nietszche, Freud e Weber." Ao final o Professor Nunes recebeu nota 10 pelo seu currículo, nota 10 pela aula didática e nota 10 pela defesa da tese atingindo a média máxima prevista. A ABRADES parabeniza seu presidente e considera seu trabalho de pesquisa um importante espaço para a consolidação da causa da Educação Sexual em nosso país e na tradição acadêmica atual. Assessoria de Imprensa da ABRADES.

Primeira Tese de Livre-Docência na área da Educação Sexual Emancipatória!

A ABRADES está considerando como expressão de uma conquista política e institucional a realização do concurso de livre-docência promovido pela Universidade Estadual de Campinas- UNICAMP, na área da Filosofia da Educação, a ocorrer entre os dias 05 e 06 de Outubro de 2006, na Faculdade de Educação da mesma universidade. O candidato ao título de Livre-Docente é o Professor Doutor César Nunes, presidente da ABRADES e professor assistente doutor daquela IES. No dia 05 haverá sorteio do ponto da prova didática e prova de títulos. Já no dia 06 de outubro haverá a aula didática perante a banca, a ocorrer às 10 hs, e a esperada defesa pública da tese, prevista para as 14 hs no Salão de Convenções da Faculdade de Educação da UNICAMP. O tema da tese é o seguinte: "Platão e a dialética entre o amor da filosofia e a filosofia do amor: um estudo pedagógico de ética sexual." Trata-se de uma pesquisa filosófica de natureza bibliográfica e aporte histórico-crítico. Pretende investigar as matrizes platônicas de uma ética sexual, a contrapor-se à dieta sexual aristocrata, vigente em Atenas, ao tempo da emergência social da Filosofia. Busca defender a premissa de que a questão da sexualidade sempre esteve presente na temática nuclear da filosofia, sendo historicamente retirada desta, em função de sistematizações definidas por novas formações culturais e ideológicas. Conclui, entre outros tópicos, pela necessidades de estudos filosóficos sobre a questão da sexualidade e da ética sexual. A ABRADES convida a todos a acompanhar e conhecer o trabalho teórico do Professor Nunes e desde já o parabeniza pela tenacidade e persistência no camppo temático, tendo jpa defendido seu doutorado na área e, nesse momento, consolidando seus propósitos com a livre-docência.