UMA NOVA ATITUDE DIANTE DA ESCOLA E DIANTE DE NOSSOS DESAFIOS ATUAIS.
Por força do ofício sempre tenho buscado entender as contradições de nosso tempo e sociedade a partir de seus dados de bastidores, os condicionantes históricos e suas inspirações ideológicas. Não se trata de uma busca arqueológica meramente heurística, ou ainda que se configure como um caprichoso exercício de genealogia conceitual, tão a gosto de tantas epistemologias correntes, fragmentárias e indolores. Mas, ao contrário, tal intento nasce da constatação da angustiante premissa de que não encontramos outra possibilidade de compreender as contradições de nossa realidade se não buscarmos seus marcos históricos e políticos, nem tampouco reuniremos condições de superação dessas matrizes se não soubermos a solidez de seus fundamentos. Essa é a lição sempre presente do metódico Gramsci: pessimismo da inteligência, otimismo da vontade. E se traduz na criteriosa busca racional de desvendar a historia e suas singularidades. O pensamento mágico, por sua vez, contenta-se com descrições fabulosas, alimenta-se de proposições ahistóricas e quase sempre acaba reforçando as eficientes armadilhas reais da dominação vigente, acaba legitimando a liturgia do corpus institucional do establishment e promovendo a continuidade do inusitado cinismo do status quo.
Nosso tempo é marcado por rápidas e intensas mudanças. O conhecimento técnico altera radicalmente nossa vida cotidiana interferindo em todas as dimensões de nossa sociedade. Torna-se necessário criar diretrizes éticas e coordenadas políticas para submeter as conquistas tecnológicas ao interesse e promoção do bem estar de todos. A escola se vê questionada a assumir novas funções e a recuperar alguns de seus atributos clássicos bem como assumir novas identidades. Assim, torna-se necessário hoje planejar uma escola e uma nova proposta de educação voltada para a formação plena da cidadania e para a incorporação da cultura como processo de humanização. O conhecimento historicamente acumulado deve ser repassado a cada geração, de maneira sistematizada e criativa, a produzir condições de compreensão da vida, das sociedades e conquistas da civilização humana. Um conhecimento posto a serviço da vida, da felicidade, da justiça e da sustentabilidade de todas as formas de produção e trabalho. A escola de hoje tem que incorporar criativamente os recursos e paradigmas clássicos postos pela tradição e ser capaz de assimilar e ordenar novas relações culturais, nossos contextos e disposições.
Conhecemos a famosa afirmação de Sartre: é preciso conhecer o que fizeram de nós, é preciso escolher o que vamos fazer com o que fizeram de nós. Essa dialeticidade entre o passado e o futuro é o penhor de nossa consciência e de nossas possibilidades. E, com a premissa sartreana explicitamos a primeira disposição do presente ensaio reflexivo sobre as delimitações e potencialidades das categorias de tempo e espaço na construção de nossas referências existenciais e científicas. Outra motivação: nem todos os cidadãos precisam ser historiadores, essa habilidade, ofício e vocação, é fruto de escolhas pessoais e sociais, disposições objetivas, estímulos fundamentados. Nem todos os educadores precisam ser professores de História, em seus diversos níveis e modalidades. Ser professor demanda outra série de disposições pessoais, sociais, institucionais etc. Muito menos somos obrigados a ser arquivistas, historiógrafos, cronistas, em sentido técnico. Mas de uma coisa temos certeza, todos nós precisamos ter uma consciência de nosso tempo, somos quase que obrigados a ter uma consciência histórica, isto é, reconhecer o nosso tempo e identificar o nosso espaço, se desejarmos ser sujeitos de nossa prática social, profissional e política. Assim, podemos deixar de lado as demais competências, mas não podemos nos furtar à consciência histórica de nosso tempo.
ABRADES: O ano de 2010 será o ponto de partida para uma nova fase da associação e da conquista de seus objetivos!
Há momentos que definem prioridades pela natureza histórica de sua própria significação. Esse ano de 2010 deve ser um desses anos plenos, carregados de símbolos e possibilidades. Aliás, o que é a vida senão uma procissão infinita de possibilidades? E a esperança nos acalenta nessa solene abertura dos anos promissores e venturosos que virão, como esse que ora se inicia. Para esse ano temos muitos sonhos e desafios para a área da Educação Sexual e a pesquisa em Sexualidade e Educação. Novos encontros, eventos de dimensões regionais e até a possibilidade de um Congresso nacional estão sendo carinhosamente preparados pela Diretoria da ABRADES, reunida em Campinas-SP para a produção de um Planejamento Estragégico Institucional e Político para a ABRADES. Dessa forma, convidamos a todos para a retomada do corolário de motivações e intenções que nos congrega na ABRADES e esperamos a contribuição coletiva para gerar tempos novos e criações referenciais originais nessa aurora que se anuncia!
Isso é a ABRADES!
Depois de realizar uma trajetória de percalços e resistências a qustão da educação sexual firmou-se como uma necessidade de nosso tempo e sociedade. A inclusão do tema da Orientação Sexual como um dos temas transversais parece ser o marco institucional da luta pela implantação da Educação Sexual na escola e sociedade, vindo dos idos dos anos 1930! Agora, a partir dessa conquista, temos novas tarefas, a formação de educadores e agentes educacionais para lidar com o tema à altura de sua importância e identidade. Nesse campo, a ABRADES está inovando, buscando viabilizar cursos e etapas de formação para professores, especialistas, educadores que queiram trabalhar com o tema. Esse é o desafio atual: a formação de professores para trabalhar com a Educação Sexual na escola. Esperamos firmar esse tema nessa etapa de institucionalização da ABRADES e contar com o apoio e compartilhamento de responsabilidades de todos os filiados. Sejam todos novamente benvindos nessa nova trincheira!
César Nunes (Presidente)
ABRADES: UM NOVO TEMPO, A MESMA LUTA, UM SÓ HORIZONTE!
Nessa nova etapa de sua atuação a ABRADES estará buscando ampliar a participação de seus afiliados, sócios e interessados, simpatizantes e outros grupos de pessoas, entidades ou ONG´s, na promoção do debate e qualificação da pesquisa e formação na área da EDUCAÇÃO SEXUAL!
Trata-se de um momento novo, o de firmar novos horizontes para a pesquisa no campo da Educação Sexual e, ao mesmo tempo, sistematizar as múltiplas atividades desenvolvidas ao longo dessas últimas duas décadas. Por todo o país, desde o final dos anos 1980 tem havido experiências, estudos, projetos e ações no campo da Educação Sexual. É hora de reunir essas experiências, pesquisas, estudos e organização de grupos afins na direção comum. A ABRADES está preparada para esse objetivo nesse ano de 2006.
A ABRADES é uma associação que congrega educadores, professores, agentes educacionais, cidadãos e cidadãs, profissionais da educação, pedagogos, historiadores, filósofos, biólogos, psicólogos, antropólogos, sociólogos, licenciados em geral, profissionais de diversas outras áreas de atuação social, médicos, enfermeiros, assistentes sociais, pesquisadores das diversas áreas das ciências e das artes, integrados pelo propósito de promover a EDUCAÇÃO SEXUAL.
Entendemos por educação tanto a formação humana geral, aquela que prepara as novas gerações para a vida em sociedade, que dispõe formas e meios para a aquisição plena e subjetiva da cultura e condição humana, quanto aquela definida pelo processo formal e escolar de sistematização e transmissão institucional de conhecimentos, idéias e valores, habilidades e referências éticas, estéticas, políticas e sócio-econômicas, dimensões essenciais e necessárias à formação referencial das gerações de crianças, adolescentes e jovens. Nossa preocupação fundamental, pelas razões sociais de destaque e importância que a sexualidade passou a assumir na sociedade contemporânea, é com a educação sexual, com uma preferencial atuação em sua dimensão pedagógica, didático-institucional e escolar.
A ABRADES nasceu da necessidade de promover a educação sexual numa sociedade marcada historicamente por práticas repressivas e, a partir das mudanças operadas no período histórico pós-segunda guerra mundial, em meados do século XX, por um amplo processo de pansexualização, isto é, de exposição, descompressão e exibição saturada das práticas e discursos sobre sexualidade, atingindo o cerne de nossa vida pessoal, da cultura e da própria identidade humana, prevalecendo uma concepção banalizada de sexo e sexualidade mediatizada pelas categorias da massificação comportamental e desumanização mercantilista. Educadores, pesquisadores e interessados em investigar, aprofundar o conhecimento, criar referências teóricas e disposições metodológicas para a educação sexual escolar produziram, nas últimas décadas, as suas matrizes institucionais e organizacionais. Nascida na década de 1990 a ABRADES foi congregando professores, pesquisadores, profissionais liberais, pais e cidadãos interessados em debater o tema e sua importância, criando jornadas, palestras e núcleos de estudos e pesquisas em Educação Sexual até produzir encontros regionais e nacionais, congressos e eventos de socialização e formação continuada de profissionais e agentes educacionais preparados para atuar na escola e sociedade.
Para a ABRADES a educação sexual é uma das formas de aquisição plena de sentido e significado para a representação e vivência da sexualidade, marca ontológica da condição humana, subjetiva e social, fundamento para a conquista da realização plena de nosso ser e conquista da emancipação ética, estética e política de todos os seres humanos.Estamos inaugurando este espaço de trocas na grande Teia do mundo global. Nosso propósito é abordar a questão da Sexualidade Humana e da Educação Sexual. Há muitas outras formas e jeitos de constituir uma comunidade virtual, mas nós queremos contar com um tipo especial de curiosos e interessados: aqueles que supõem que a vida é um espetáculo de gratuidade e esperanças, que a sexualidade é uma força vibrante, singular e socialmente, de impulsionar os homens e mulheres para a felicidade, para a realização erótica e afetiva, para a construção de sentido posta eticamente pela potencialidade criativa do ser humano e sua inexpugnável sexualidade. Sinta-se convidado (a) a debater, pesquisar, socializar e construir juntos os novos tempos e horizontes de uma sexualidade emancipadora de si e emancipatória de todos, a superar os sexismos estreitos, as práticas repressivas, as mercantilizações e simulacros que campeiam entre nós!
ASSOCIAÇÃO MUNDIAL PARA A SAÚDE SEXUAL (WAS)
Declaração de Montreal - "Saúde sexual" para o Milênio"
XVII Congresso Mundial de Sexologia. Montreal 2005
Nós, os participantes no XVII Congresso Mundial de Sexologia, afirmamos nosso compromisso com a Missão da Associação Mundial para a Saúde Sexual(WAS): Promover a Saúde Sexual em todo o mundo e ao longo da vida. Reafirmamos também a Declaração dos Direitos Sexuais de WAS (1999); as recomendações do Relatório do WAS e a Organização Pan-Americana da Saúde: "Promoção da saúde Sexual, Recomendações para a Ação" (2000), e as Definições Operacionais de Saúde Sexual e Direitos Sexuais da Organização Mundial da Saúde (2002).
Considerando a necessidade urgente de uma ação coletiva para alcançar os objetivos e as metas de saúde e desenvolvimento sustentável afirmados em acordos internacionais, incluindo a Declaração do Milênio, declaramos que: A promoção da saúde sexual é central para alcançar o bem-estar e o resultado do desenvolvimento sustentável e mais especificamente, para a instrumentação das Metas de Desenvolvimento do Milênio. Os indivíduos e as comunidades que experimentam o bem-estar encontram-se em uma melhor posição para contribuir para a erradicação da pobreza individual e social. Ao cultivar a responsabilidade individual e social e as interações sociais eqüitativas, a promoção da saúde sexual fomenta a qualidade de vida e a realização da paz. Portanto, instamos a todos os governos, as agências internacionais, ao setor privado, as instituições acadêmicas e a sociedade inteira, e muito particularmente às organizações membros da Associação Mundial para a Saúde Sexual (WAS) a:
1.- Reconhecer, promover, assegurar e proteger os direitos sexuais para todos. Os direitos sexuais fazem parte integrante dos direitos humanos básicos e, portanto, são inalienáveis e universais. A saúde sexual não pode ser atingida nem mantida sem direitos sexuais para todos.
2.- Avançar para a eqüidade de gênero. A saúde sexual requer respeito e eqüidade de gênero. As iniqüidades relacionadas com o gênero e os desequilíbrios de poder impedem as interações humanas construtivas e harmoniosas e conseqüentemente, a consecução da saúde sexual.
3.- Eliminar todas as formas de violência e abuso sexuais. A saúde sexual não se pode alcançar enquanto as pessoas não estiverem livres de estigma, discriminação, abuso, coerção e violência sexuais.
4.- Prover acesso universal à informação e educação integral da sexualidade. Para obter saúde sexual é mister que todas as pessoas, incluindo os jovens tenham acesso pleno a uma educação integral da sexualidade e à informação, bem como à atenção a sua saúde sexual durante todo o ciclo vital.
5.- Assegurar que os programas de saúde reprodutiva reconheçam a importância medular da saúde sexual. A reprodução é uma das dimensões críticas da sexualidade humana e pode contribuir para o fortalecimento das relações e à realização pessoal quando foi desejada e planejada. A saúde sexual é um conceito mais abarcativo do que a saúde reprodutiva. Os programas atuais de saúde reprodutiva devem ser ampliados para contemplar integralmente às diversas dimensões da sexualidade e a saúde sexual.
6.- Deter e reverter a propagação da HIV/AIDS e outras infecções de transmissão sexual (ITS).O acesso universal à prevenção, aconselhamento e prova de detecção voluntária, a atenção e tratamento integral dos pacientes infectados com a HIV/AIDS e outras infecções de transmissão sexual são igualmente essenciais para a saúde sexual. Devem ser adotados e incrementar-se em grande escala imediatamente os programas que assegurem o acesso universal a estes serviços.
7.- Identificar, abordar e tratar inquietudes, moléstias e disfunções sexuais. Visto que a plenitude sexual tem a capacidade de elevar a qualidade de vida, é crítico reconhecer, prevenir e tratar as inquietudes, padecimentos e preocupações sexuais.
8.- Conseguir o reconhecimento do prazer sexual como um componente do bem-estar. A saúde sexual é mais do que apenas a ausência de doença. O prazer e a satisfação sexuais são componentes integrais do bem-estar e requerem serem reconhecidos e promovidos universalmente. É essencial que quaisquer planos de ação internacionais, regionais, nacionais e locais para o desenvolvimento sustentável, priorizem ações em saúde sexual, apropriem recursos suficientes e abordem as barreiras sistêmicas, estruturais e comunitárias que abalam a saúde sexual e que o progresso destes planos e programas seja monitorizado.
Aprovada e proclamada em Montreal, Canadá durante o XVII Congresso Mundial de Sexologia, 15 de julho de 2005.
Nesse ano de 2010, a partir de Fevereiro, estaremos em campanha para conquistar novos sócios e filiados. Você pode ser um deles(as)! Você pode participar da ABRADES, atuar junto aos demais membros e filiados, pesquisar,conviver com um grupo de educadores e pesquisadores que busca criar novas redes e formas de representações emancipatórias da Sexualidade Humana e da Educação Sexual. Procure conhecer todos os projetos, as referências teóricas e conceituais, os propósitos e frentes de luta da ABRADES e integre-se, como sujeito, nesta comunidade de reflexão e ação educacional!
Estaremos ainda produzindo um banco de dados sobre a Educação sexual no Brasil e sua abordagem emancipatória, de modo a instrumentalizar os pesquisadores e agentes educacionais que porventura tiverem interesse e necessidade de apoio institucional e didático nessa temática.